Descaso crônico: Vale segue ignorando situação crítica da ZAS em Antônio Pereira, Ouro Preto MG

A Voz das Comunidades Atingidas

A comunidade de Antônio Pereira se encontra em uma situação alarmante, que já perdura por três anos. As famílias desta região têm apresentado ao Instituto Guaicuy, a Assessoria Técnica Independente, suas denúncias sobre a negligência da mineradora Vale. Essa situação é relacionada a imóveis localizados na Zona de Autossalvamento (ZAS), próxima à Barragem Doutor. Os relatos são de um verdadeiro descaso, com um cenário onde ratos, baratas, mosquitos, cobras e escorpiões tornaram-se parte do dia a dia dos moradores.

Impacto da Barragem Doutor nas Famílias

Este cenário de devastação é exacerbado pela mudança forçada de muitos residentes. O impacto psicológico e social dessa situação é imenso. Dona Geralda, por exemplo, compartilha sua luta diária por paz em meio ao barulho e aos insetos. Moradora de longa data, ela lamenta as condições que se agravaram desde que seus vizinhos foram forçados a sair. “A casa não ficou inteira muito tempo; depredaram tudo! Tiraram portas, janelas, e agora está desse jeito,” diz ela, com a tristeza visível em sua voz.

Pragas Urbanas e Animais Peçonhentos

Várias famílias relataram a proliferação de pragas urbanas, como ratos e cobras, que invadem suas propriedades. Geralda comenta sobre como agora vive com o medo constante de encontrar uma cobra ou outros animais perigosos em sua casa. A sensação de insegurança é palpável, com muitos moradores sentindo que suas vidas estão em risco devido à presença destes animais. Os escombros deixados para trás pela Vale criam um ambiente propício para a proliferação de infestantes.

Zona de Autossalvamento

Medidas de Segurança Ignoradas

Apesar de uma decisão judicial que requer a adoção de medidas de segurança emergenciais, os esforços da Vale têm sido insuficientes. A limpeza dos imóveis desocupados nunca foi realizada de forma adequada, de acordo com os relatos da comunidade. Dona Danielle, neta de Geralda, declara: “Só fecharam as casas, mas os bichos continuam e a Vale alega que não estão no mapa deles para limpeza”.



O Medo de Rompimentos de Barragens

O temor de um eventual rompimento da barragem é um fator constante de estresse na vida dos moradores. Após a tragédia em Mariana, em 2015, e Brumadinho, em 2019, a sensação de insegurança aumentou drasticamente. Os moradores, como Danielle, exigem a remoção de suas residências preocupados com a segurança de suas famílias diante da possibilidade de um desastre.

Saúde Mental das Famílias Afetadas

O impacto na saúde mental é considerável, com diversos relatos de pessoas lutando contra problemas emocionais em decorrência da situação estressante. Leislier, uma das residentes, menciona que tanto seu marido quanto um dos filhos precisam de medicamentos controlados para lidar com a pressão psicológica gerada pelo ambiente instável. “A Vale ignora as nossas necessidades emocionais e diz que nossa saúde não é problema deles,” desabafa.

A Luta por Reconhecimento e Justiça

As famílias em Antônio Pereira estão em busca de reconhecimento e justiça. Após um longo processo judicial, algumas conseguiram a remoção, mas isso não é suficiente. A falta de comunicação e a inação da Vale em relação às condições de vida na ZAS têm levado muitos a se sentirem abandonados e sem esperança. As promessas de compensação e ajuda não têm se concretizado em ações visíveis.

Condições de Vida na ZAS

As condições de vida na ZAS são desesperadoras. Os imóveis estão em estado de ruína, infestados com pragas, e a população não tem acesso a serviços básicos de limpeza e manutenção. Por exemplo, a falta de tetos nos imóveis abandonados faz com que a situação se agrave com as chuvas, aumentando o risco de doenças transmitidas por mosquitos.

O Papel das Autoridades na Situação

As autoridades locais têm sido questionadas em relação às suas responsabilidades. O município de Ouro Preto, através da Gerência de Vigilância em Saúde, tem sugerido que as famílias façam denúncias na ouvidoria. Contudo, muitos moradores acreditam que esta solução é insuficiente para resolver a crescente infestação e os perigos que os cercam. O descaso da mineradora e a falta de atuação adequada das autoridades têm feito a comunidade se sentir cada vez mais desprotegida.

Soluções Propostas para a Comunidade

As soluções propostas pela comunidade incluem a limpeza efetiva das áreas desocupadas, uma melhor comunicação entre a Vale e os moradores, e um plano de remoção transparente e justo para aqueles que vivem nas zonas de risco. Os moradores também pedem ações efetivas das autoridades locais para garantir que suas vozes sejam ouvidas e respeitadas.



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