A cidade que já foi o coração do ciclo do ouro ficou quase dois séculos estagnada e hoje preserva um dos maiores conjuntos barrocos do Brasil

Patrimônio Mundial da UNESCO

Ouro Preto foi inscrita como Patrimônio Mundial da UNESCO em 5 de setembro de 1980, devido à preservação quase intacta de seu conjunto arquitetônico barroco. A cidade, que foi a capital da província de Minas Gerais de 1720 a 1897, conseguiu manter sua herança cultural intacta ao longo do tempo, principalmente devido à estagnação econômica que se seguiu ao ciclo do ouro.

Esse valor histórico é reforçado pela proteção iniciada antes da criação de um órgão nacional de patrimônio, com medidas tomadas já em 1931 pelo então prefeito João Velloso, que implementou um decreto para preservar as fachadas coloniais. Em 1933, o presidente Getúlio Vargas declarou a cidade Monumento Nacional, ampliando a proteção já existente.

Atualmente, a área reconhecida pela UNESCO abrange aproximadamente 167,8 hectares, uma extensão equivalente a cerca de 235 campos de futebol, repleta de construções históricas que incluem igrejas, pontes e chafarizes do período colonial.

Ouro Preto

Arquitetura barroca e suas igrejas

As igrejas de Ouro Preto se destacam por serem construídas por irmandades de leigos, uma vez que a Coroa portuguesa proibiu a instalação de ordens religiosas na região. Essa dinâmica permitiu que as igrejas fossem erguidas com uma liberdade artística que resultou em um barroco característico da região, que combina o gnaisse e a pedra-sabão, criando uma estética única, com detalhes esculpidos que impressionam os visitantes.



Entre as igrejas mais notáveis está a Igreja de São Francisco de Assis, obra do renomado artista Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Essa igreja é elucidada pela UNESCO como uma das mais significativas do barroco brasileiro, destacando-se por seu interior ricamente decorado e suas fachadas elaboradas.

Dentro dos templos, as obras de arte, como os forros pintados por Manuel da Costa Ataíde, revelam ainda mais a singularidade da produção artística local, que reflete as influências europeias adaptadas ao contexto cultural brasileiro.

Principais atrações do centro histórico

O centro histórico de Ouro Preto é um verdadeiro museu a céu aberto, onde diversos prédios coloniais tiveram suas funções alteradas ao longo dos anos, mas mantiveram suas fachadas originais. Algumas das principais atrações incluem o Museu da Inconfidência, situado na antiga Casa de Câmara e Cadeia, que foi o centro simbólico da Inconfidência Mineira, e a Escola de Minas, que ocupa o antigo Palácio dos Governadores, sede do poder colonial.

Outra atração importante é o Parque Arqueológico do Morro da Queimada, criado em 2008 para reforçar a proteção da área arqueológica da cidade. Além disso, os visitantes podem desfrutar das delícias da culinária local no distrito de São Bartolomeu, famoso por seus doces, que também foram citados pela UNESCO como exemplo de turismo sustentável que beneficia a comunidade.



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