Primeiro Patrimônio Cultural da Humanidade do Brasil, a antiga capital do ouro mineiro tem qualidade de vida acima de 14 capitais

Ouro Preto, em Minas Gerais, é o primeiro bem cultural do Brasil inscrito na Lista do Patrimônio Mundial. No Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026, a cidade ficou à frente de 14 capitais, segundo o próprio índice.

A antiga Vila Rica surgiu no fim do século XVII e ganhou destaque durante a corrida do ouro. A cidade também foi o centro simbólico da Inconfidência Mineira, em 1789.

O retrato publicado em 19 de outubro de 2026 envolve moradores, estudantes da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e visitantes que circulam pelo centro histórico. As ladeiras de pedra e as repúblicas estudantis fazem parte da paisagem urbana descrita.

Ouro Preto

Em 5 de setembro de 1980, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) inscreveu Ouro Preto na Lista do Patrimônio Mundial. A cidade reúne ainda igrejas, casarões, minas históricas e distritos serranos, além de indicadores sociais que permitem comparações com as capitais brasileiras.

O ciclo do ouro e o reconhecimento da UNESCO

O nome Ouro Preto tem origem na aparência do metal encontrado nos córregos da região: uma camada escura de óxido de ferro cobria o ouro. A exploração transformou o arraial em um centro da atividade mineradora no século XVIII.

Após o esgotamento das minas, o isolamento da região durante boa parte dos séculos XIX e XX desacelerou a economia local. Esse processo também contribuiu para conservar construções e o traçado das ruas, que sofreram poucas mudanças desde o período colonial.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), o conjunto barroco se destaca pela homogeneidade. Praças, chafarizes, pontes, casarões e igrejas acompanham as antigas estradas e o relevo acidentado, formando uma paisagem urbana preservada.

Ouro Preto tornou-se sede do governo de Minas em 1720 e manteve essa condição por 177 anos. Em 1933, foi declarada Monumento Nacional; no ano seguinte a decretos municipais de proteção às fachadas, em 1938, seu conjunto arquitetônico e urbanístico foi inscrito no Livro do Tombo de Belas Artes.



O que o IPS Brasil 2026 revela sobre Ouro Preto

O Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026 atribuiu 66,80 pontos a Ouro Preto. A cidade ficou na 378ª posição entre os 5.570 municípios avaliados, enquanto a média nacional foi de 63,40 pontos.

De acordo com o IPS Brasil, a avaliação combina 57 indicadores sociais e ambientais, incluindo aspectos como saneamento, moradia e acesso à educação superior. O cálculo não considera o Produto Interno Bruto (PIB) nem a renda, portanto a nota não corresponde a uma comparação direta de riqueza econômica.

Entre as capitais que tiveram pontuação inferior estão Salvador, com 62,18 pontos, e Maceió, com 61,96. Recife, Fortaleza, Manaus, Belém e Vitória também aparecem abaixo da cidade mineira na comparação apresentada pelo índice.

Do centro histórico aos distritos e paisagens de serra

Na Praça Tiradentes ficam o antigo Palácio dos Governadores, que abriga a Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), e a antiga Casa de Câmara e Cadeia, onde funciona o Museu da Inconfidência, criado em 1944. O centro histórico pode ser percorrido a pé, por ruas com ladeiras íngremes.

A Igreja de São Francisco de Assis é uma das obras de Aleijadinho destacadas pela UNESCO. A arte das igrejas e capelas também inclui trabalhos do pintor Manuel da Costa Athaide; nas fachadas, entalhes em gnaisse e pedra-sabão incorporam materiais da região.

Galerias de antigas minas de ouro, abertas ao público em diferentes bairros, permitem observar os espaços escavados no século XVIII. Fora do núcleo histórico, o Parque Estadual do Itacolomi, dividido com Mariana e reaberto em 2026, inclui o Pico do Itacolomi, com 1.772 metros; os distritos de Lavras Novas e São Bartolomeu acrescentam paisagens serranas e a tradição da goiabada cascão, respectivamente.

O clima alterna verão chuvoso e inverno seco, com médias de temperatura máxima entre 21°C e 26°C ao longo do ano. Dezembro e janeiro acumulam mais de 660 milímetros de chuva, enquanto junho, julho e agosto somam menos de 70 milímetros; julho é o mês mais frio e seco, com mínima média próxima de 11°C e cerca de 15 milímetros de precipitação.



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