As ações da Vale recuaram 8% desde o primeiro turno das eleições de 2026, em um movimento que reduziu em R$ 24,64 bilhões o valor de mercado da mineradora. No mesmo período, a Petrobras avançou com a alta do petróleo.
O contraste ocorreu durante uma alta do Ibovespa: o índice subiu 10% em outubro e 6% desde o pleito. Segundo os dados citados na reportagem, investidores estrangeiros aportaram mais de R$ 18,5 bilhões na bolsa brasileira no mês.
Vale e Petrobras, duas grandes empresas do Ibovespa, foram afetadas de formas distintas pelas mudanças nos preços das commodities e do câmbio. Em 20 de outubro de 2026, a análise também apontava o petróleo Brent acima de US$ 100 por barril, em meio à guerra no Oriente Médio.

O desempenho da Vale envolve custos de transporte, receitas em dólar e a comparação com a Petrobras, que pode se beneficiar do petróleo valorizado. Rodrigo Glatt, da GTI Administração de Recursos, e Ruy Hungria, da Empiricus Research, comentaram a possível realocação de posições entre as ações.
Petróleo acima de US$ 100 pressiona frete e resultados da Vale
Na teleconferência sobre o balanço do segundo trimestre de 2026, Rogério Nogueira, vice-presidente executivo de Desenvolvimento Comercial da Vale, chamou a atenção para a influência do petróleo nos resultados da mineradora. A commodity afeta o preço do bunker, combustível usado pelos navios cargueiros que transportam o minério.
Quando o combustível marítimo encarece, o frete de exportação fica mais caro e os custos da Vale aumentam. Se as demais condições não compensarem essa pressão, a margem da companhia pode diminuir.
O Itaú BBA estimou que o aumento das despesas de transporte pressionaria o Ebitda da divisão de ferrosos para US$ 2,66 bilhões no terceiro trimestre de 2026, recuo de 13% ante o mesmo período do ano anterior. A projeção do banco considera embarques maiores, mas não suficientes para neutralizar o custo adicional.
O Itaú BBA projetou embarques de 82,7 milhões de toneladas, alta de 4% na comparação anual. A Vale informou que divulgaria o balanço do terceiro trimestre em 29 de outubro de 2026.
Dólar mais fraco e avanço da Petrobras alteram a preferência dos investidores
Enquanto a Vale perdia valor, a Petrobras chegou perto de R$ 800 bilhões em valor de mercado, favorecida pela alta do petróleo. Rodrigo Glatt, sócio fundador da GTI Administração de Recursos, avaliou que investidores passaram a trocar posições na mineradora por papéis da petroleira; segundo ele, parte do mercado mantinha posições compradas em Petrobras e vendidas, ou *short*, em Vale.
Ruy Hungria, analista da Empiricus Research, também apontou a possibilidade de investidores venderem ações da Vale a descoberto para direcionar recursos a empresas que poderiam se beneficiar mais de uma eventual melhora das perspectivas fiscais. Conforme os dados citados por Hungria, 4,5% do free float da mineradora estava alugado.
O câmbio foi outro fator citado para explicar a pressão sobre os papéis. Após a vantagem de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, o dólar recuou de R$ 5,20 para R$ 5, queda de quase 4%, movimento associado à percepção de menor risco fiscal e à expectativa de entrada de capital estrangeiro.
Como a Vale recebe em dólar por boa parte das vendas, a conversão da receita para reais rende menos quando a moeda americana cai; custos e outras linhas do balanço também são afetados pelo câmbio. Hungria relacionou a desvalorização do dólar, o frete mais caro por causa do petróleo e a queda do minério de ferro à possibilidade de resultados menores na comparação anual.


