As duas maiores operadoras concentram mais de 80% dos acessos móveis em 4.889 municípios brasileiros, segundo a Anatel. O dado integra o Relatório de Monitoramento da Competição do terceiro trimestre de 2026.
Divulgado em 20 de outubro de 2026, o levantamento examina a competição nos mercados de telefonia móvel e banda larga fixa. A análise também considera a participação das operadoras móveis virtuais (MVNOs).
A concentração do mercado móvel varia conforme o porte das cidades: a Anatel aponta diferenças entre municípios menores e localidades mais populosas. A agência também considera cumprida a meta nacional de desconcentração da telefonia móvel.

Além das operadoras móveis, o relatório aborda provedores de banda larga fixa em milhares de municípios brasileiros. A comparação evidencia que a concentração nacional nesse serviço é menor que a da telefonia móvel, embora haja diferenças locais.
Mercado móvel: concentração municipal e participação das MVNOs
Em 3.556 municípios, as duas maiores prestadoras respondem por mais de 90% dos acessos móveis, enquanto em outros 1.333 a fatia conjunta fica entre 80% e 90%, segundo a Anatel. A concentração do mercado móvel também se reflete no Índice Herfindahl-Hirschman (HHI), indicador usado para medir a distribuição das participações entre empresas.
Nas cidades com até 30 mil habitantes, a mediana do HHI se aproxima de 0,60. Já nos municípios com mais de 500 mil moradores, o índice fica entre 0,30 e 0,35, indicando menor concentração; conforme a agência, nessas localidades menores, um terceiro concorrente tem participação marginal ou não conta com cobertura relevante.
A meta nacional de desconcentração prevê HHI inferior a 0,3594 até 2027, e a Anatel considera que ela foi cumprida. Quanto menor o indicador, menor a concentração, embora os resultados municipais mostrem diferenças conforme o porte das cidades.
As 11 MVNOs autorizadas incluídas no levantamento somaram 13,1 milhões de acessos no terceiro trimestre de 2026. O total reúne linhas móveis convencionais e conexões de comunicação máquina a máquina (M2M) e de Internet das coisas (IoT); entre essas prestadoras, Datora tinha 37,6% dos acessos e Surf, 29,3%, juntas com 66,9% da base. A agência relaciona a expansão do segmento sobretudo à demanda corporativa e a novos ecossistemas digitais.
Banda larga fixa tem concentração nacional menor, mas desafios locais
Na banda larga fixa, os quatro maiores provedores concentram mais de 90% dos acessos em 4.470 municípios, de acordo com o relatório da Anatel. Em 3.324 cidades, as três principais empresas já reúnem mais de 90% do mercado.
O HHI nacional do serviço é de 0,0650, abaixo da meta de 0,1500 estabelecida para 2027. A diferença entre os números municipais e o indicador nacional se expressa também por porte: nas cidades com até 30 mil habitantes, a mediana do HHI chega a 0,44; nos municípios com mais de 100 mil moradores, varia de 0,20 a 0,25.
Segundo a Anatel, a entrada de concorrentes na banda larga fixa enfrenta menos barreiras que na telefonia móvel, pois não depende de restrições de uso do espectro e os custos de implantação de redes são menores. Essa condição convive com limites locais de escala e viabilidade econômica.
Nas cidades pequenas, essas restrições podem limitar o atendimento a um ou dois provedores regionais de fibra óptica, conforme o relatório. A observação da agência diz respeito às condições de oferta local, mesmo com o HHI nacional do serviço abaixo da meta definida para 2027.

