Pacientes e gestores de saúde do Sul de MG relatam demora para internação após estado mudar sistema de regulação de vagas

Causas dos atrasos na internação

A nova Central de Operações para Regulação Estadual (Core/MG) foi introduzida em Minas Gerais com o intuito de organizar e otimizar a regulação de internações. Entretanto, muitos pacientes e gestores de saúde relatam uma série de complicações relacionadas a essa mudança. Entre as principais causas de atrasos estão:

  • Integração do Sistema: A transição para um novo sistema pode provocar irregularidades e lapsos temporais enquanto as equipes se adaptam aos novos procedimentos.
  • Capacidade Limitada: A superlotação de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) tem sido uma preocupação constante, com relatos de pacientes aguardando longos períodos por leitos disponíveis.
  • Prioridade de Casos: O novo sistema prevê uma análise detalhada de cada situação, priorizando os casos mais críticos, o que pode causar demora na regulação de pacientes que não estão em situação de urgência.

Impacto na saúde pública

A demora para internação não apenas afeta a paciente individualmente, mas também tem implicações sérias para a saúde pública. Casos de insatisfação e nervosismo entre os pacientes aumentaram, assim como a pressão sobre os profissionais de saúde, que já lidam com um ambiente estressante. As UPAs, por exemplo, têm enfrentado:

  • Sobrecarga: A superlotação resulta em mais estresse para as equipes médicas, que precisam atender a uma demanda crescente com recursos limitados.
  • Atrasos no Atendimento: Pacientes que chegam com condições severas podem não receber a atenção necessária a tempo, o que pode levar a complicações clínicas mais graves.
  • Perda de Confiança: A insatisfação com o sistema de atendimento reage de maneira negativa nas percepções gerais de saúde pública e confiança nas instituições médicas.

Depoimentos de pacientes

Os relatos de pacientes em espera para internação são desoladores e revelam a gravidade da situação. Um comerciante compartilhou sua experiência angustiante:

demora para internação

“Minha mãe chegou à UPA com suspeita de AVC e esperou horas para conseguir um leito. A incerteza me deixou angustiado e pensei até em buscar um atendimento particular porque a espera parecia interminável”.

Outros pacientes expressaram sentimentos similares, ressaltando a insegurança e o desespero frente à falta de um atendimento rápido e eficaz. As histórias de longos períodos de espera estão se tornando comuns, com muitos pacientes afirmando que enfrentam até uma semana para conseguir uma internação adequada.

Críticas de gestores municipais

Os prefeitos e gestores da Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Rio Grande (AMEG) se reuniram para discutir o impacto negativo da nova regulação de internação. Em declarações públicas, o prefeito de São Sebastião do Paraíso, Marcelo de Morais, criticou o novo sistema:

“A remoção de pacientes tornou-se um verdadeiro caos. Nossos cidadãos estão esperando cerca de 12 horas, e em alguns casos, até 30 horas, para serem regulados. Precisamos de uma solução que respeite nossas pactuações locais de atendimento”.

Essas críticas destacam a frustração dos gestores em relação à nova estrutura, que parece ter exacerbado os problemas existentes em vez de resolvê-los.



Reunião da AMEG com a secretaria

Em resposta ao aumento das queixas, os prefeitos da AMEG se encontraram com o subsecretário estadual de saúde para discutir as ineficiências do sistema Core. O encontro resultou em um ofício formal exigindo:

  • Redução no Tempo de Resposta: Os gestores pedem que a regulação se torne mais ágil, respeitando os contratos de assistência que já foram estabelecidos.
  • Melhor Transparência: Críticos solicitam uma maior clareza nos critérios utilizados para a regulação de leitos.
  • Apoio às Centrais Regionais: Um fortalecimento das Centrais de Regulação locais para descentralizar as decisões pode ser benéfico.

Comparação com o sistema anterior

Antes da implementação do Core/MG, muitos usuários do SUS estavam mais satisfeitos com a eficiência da regulação anterior, que permitia um acesso mais rápido às internações e aos serviços de saúde. O sistema anterior, chamado SUS Fácil, facilitava a comunicação entre os hospitais e as UPAs, permitindo que os pacientes fossem direcionados rapidamente aos serviços disponíveis.

A transição para o novo modelo gerou um contraste claro e negativo, evidenciado pelas queixas que vêm surgindo desde maio, mês da implantação.

Efeitos nas UPAs da região

As UPAs estão sobrecarregadas devido à dificuldade de internação. Profissionais de saúde da Unidade de Pronto Atendimento em Passos relataram:

“Temos atualmente pacientes aguardando por uma semana para conseguir uma internação. Fica complicado manter a assistência adequada com tantas pessoas na unidade”.

Além do desafio de atender as necessidades imediatas, os profissionais enfrentam o desgaste diário resultante da pressão. Essa situação pode levar a um aumento nos erros médicos e a uma deterioração da qualidade do atendimento prestado.

Propostas de melhoria no sistema

Durante a reunião com os gestores e a secretaria, uma série de propostas foi apresentada como potencial solução para os problemas atuais. As ideias incluem:

  • Aprimoramento do Sistema Digital: Investir em tecnologia para que o fluxo de informações entre instituições seja feito de forma mais eficiente.
  • Campanhas de Sensibilização: Realizar ações de conscientização para informar a população sobre os novos procedimentos e como utilizá-los corretamente.
  • Regularidade nas Reuniões de Análise: Estabelecer encontros mensais entre a secretaria e representantes de municípios para discutir e ajustar processos.

Prioridade dada ao atendimento

O subsecretário de saúde, Renan Guimarães Rosa de Oliveira, defendeu que a Core/MG prioriza o atendimento com base na gravidade de cada caso. Ele afirmou:

“Analisamos a situação clinica específica de cada paciente e buscamos encaminhá-los ao leito adequado, priorizando sempre os casos mais sérios”.

Essa prioridade, no entanto, tem sido criticada, pois muitos pontos de vista consideram que a necessidade imediata de leitos não está sendo atendida da forma mais eficaz.

O que vem a seguir para a saúde em MG

Com os desafios apresentados pela nova regulação, é essencial que a Secretaria Estadual de Saúde e os gestores locais colaborem efetivamente para reverter os problemas. O futuro da saúde em Minas Gerais dependerá da capacidade de se adequarem às demandas da população e da experiência de atendimento.

As discussões entre as autoridades são promissoras, mas a implementação concreta das propostas ainda é um passo crucial a ser dado. Caso contrário, a insatisfação a respeito do sistema de saúde poderá continuar a crescer, colocando em xeque não apenas a confiança dos usuários, mas também a eficácia geral dos serviços de saúde no estado.



Deixe um comentário