Marco Lage e a Duplicação das Rodovias
O prefeito de Itabira, Marco Antônio Lage, expressou suas objeções às declarações do governador de Minas Gerais, Mateus Simões, sobre a duplicação das rodovias MG-129 e MG-434. A discussão teve início durante uma visita de Simões a Barão de Cocais, onde ele mencionou que as conversas para a obra estavam estagnadas devido a uma mudança na postura da Prefeitura de Itabira.
Marco Lage contestou a versão apresentada pelo governador, afirmando que o verdadeiro responsável pela falta de progresso no projeto é o governo estadual. Em sua resposta, Lage destacou que pelo menos seis reuniões haviam sido realizadas, incluindo encontros com o ex-governador Romeu Zema e com Simões, além de interações técnicas com a Secretaria de Infraestrutura do Estado.
As Promessas da Prefeitura e da Vale
O prefeito ressaltou que a Prefeitura de Itabira e a Vale já tinham se comprometido a providenciar recursos para a realização da obra, cada um contribuindo com aproximadamente um terço do custo estimado, que ultrapassa os R$ 300 milhões. No entanto, a contribuição do Governo de Minas não estava garantida, gerando preocupação quanto à viabilidade do projeto.

“Não é verdade, nós não mudamos nada. Quem alterou os planos foi o Governo do Estado, que decidiu expandir o projeto para incluir outras rodovias. A ligação fundamental entre Itabira e essas MGs é essencial para o nosso futuro e para a região, pois estreita nossos laços com a região metropolitana de Belo Horizonte”, afirmou o prefeito.
A Responsabilidade do Estado
Marco Lage reiterou a importância da duplicação das MG-129 e MG-434, que já havia se tornado um compromisso antigo da administração municipal. Em 2019, durante o governo do ex-prefeito Ronaldo Lage Magalhães, foi assinado um convênio com o DER-MG, que estabeleceu que a Prefeitura seria responsável pelo desenvolvimento do projeto executivo, com um custo estimado de R$ 3 milhões. Desde que Marco Lage assumiu o cargo, novos encontros têm sido realizados para viabilizar a obra.
Porém, em recente visita a Bom Jesus do Amparo, o governador Romeu Zema havia sinalizado que a duplicação não contaria com recursos estaduais, o que implicaria na necessidade de uma parceria público-privada para a concretização do empreendimento, com a expectativa de apoio da mineradora Vale.
Impacto da Duplicação em Itabira
A duplicação das MGs 129 e 434 é vista como uma solução crucial para melhorar o acesso e a mobilidade na região, além de impulsionar o desenvolvimento local e contribuir para a integração de Itabira com outras áreas do estado. A falta de uma infraestrutura adequada pode limitar o potencial de crescimento econômico e dificultar a ligação com a capital mineira.
As estradas representam eixos vitais para o escoamento da produção e a atração de investimentos, tornando a obra não apenas uma necessidade logística, mas também um pilar para o crescimento sustentável da região.
Conflitos nas Negociações
Diante do impasse, alimentado por visões divergentes sobre as responsabilidades e a direção do projeto, a comunicação entre o governo estadual e a Prefeitura de Itabira precisa ser efetivada. Simões e Lage têm abordagens distintas em relação às negociações que envolvem o desenvolvimento da infraestrutura minera.
O governador sugeriu que a abordagem da mineração deve ser de parceria, ao invés de antagonismo, mas o prefeito Lage apontou que a discussão sobre a mineração vai além do aspecto ambiental, incluindo questões trabalhistas e de royalties, especialmente sob a Lei Kandir, que isenta impostos sobre a exportação de minério.
A Reação de Mateus Simões
Mateus Simões, em suas declarações, enfatizou a necessidade de um trabalho conjunto, ressaltando que conflitos nas negociações podem atrasar investimentos e obras de infraestrutura necessárias. Ele espera sensibilizar o prefeito para a importância de trabalhar em conjunto na construção das soluções que beneficiem a população.
Apoio Popular à Duplicação
A duplicação das MG-129 e MG-434 possui um amplo apoio entre os cidadãos de Itabira, que reconhecem a importância da obra para o futuro da cidade. A falta de proatividade do governo estadual em garantir a continuidade dos projetos apenas gera frustração entre os moradores, que almejam melhorias na infraestrutura.
O fortalecimento do diálogo entre os líderes locais e estaduais é importante para transformar as expectativas da população em ações concretas. A união de esforços pode possibilitar que a duplicação aconteça de forma mais rápida e efetiva, trazendo benefícios diretos para a comunidade.
Proposta de Parceria Público-Privada
A perspectiva de uma parceria público-privada é vista como uma solução viável para contornar a falta de recursos estaduais. A continuidade das conversas entre o prefeito Lage e a Vale indica que há disposição para trabalhar em conjunto em busca de soluções que garantam a execução da duplicação das rodovias.
Se concretizada, essa parceria pode agregar valor não apenas à infraestrutura, mas também aos setores econômicos que dependem das estradas para a escoação de produtos e a mobilidade da população.
Opiniões sobre Mineração em Minas Gerais
As discussões sobre a mineração em Minas Gerais são complexas, envolvendo não apenas a geração de receitas, mas também o impacto nas comunidades locais. O prefeito Lage, como presidente da Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (AmigBR), enfatiza que o diálogo deve incluir questões trabalhistas e de distribuição de royalties, não se restringindo apenas ao compliance ambiental.
Esses aspectos têm ganhado destaque no cenário político do estado, uma vez que a mineração é uma das principais fontes de receita para Minas Gerais, mas ao mesmo tempo gera discussões acerca dos direitos trabalhistas e da justiça fiscal.
Próximos Passos para a Conclusão do Projeto
Os próximos passos para a conclusão do projeto de duplicação das MG-129 e MG-434 devem incluir uma formalização das conversas entre a Prefeitura, o governo estadual e a Vale, com o objetivo de alinhar as expectativas e assegurar a alocação de recursos necessários.
Marco Antônio Lage manifestou a sua abertura para continuar o diálogo, reiterando o convite para Simões se reunir em Itabira e explorações técnicas do projeto que possam resultar em benefícios tanto para a cidade quanto para a região leste de Minas Gerais.
A continuidade desse diálogo e a implementação de um plano que considere todas as partes interessadas é essencial para que a duplicação deixe de ser um pleito e se torne uma realidade, melhorando a infraestrutura e a vida dos habitantes de Itabira.


