A primeira cidade brasileira reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Mundial tem igrejas com mais de 400 kg de ouro

Ouro Preto, em Minas Gerais, foi a primeira cidade brasileira reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Mundial, em 5 de setembro de 1980. A antiga Vila Rica preserva um conjunto arquitetônico ligado ao período colonial.

A formação do município remonta a 1698, e o povoado foi elevado à categoria de vila em 1711. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o conjunto urbano foi tombado em 20 de janeiro de 1938.

Cercada pelas montanhas mineiras, Ouro Preto fica a cerca de 100 km de Belo Horizonte e recebe visitantes interessados em seu patrimônio histórico. A cidade também guarda locais associados à Inconfidência Mineira e à exploração do ouro.

Ouro Preto

Entre os aspectos que marcam o destino estão as obras de Aleijadinho e Mestre Ataíde, igrejas barrocas e antigas minas abertas à visitação. A história local também aparece na arquitetura, na culinária e nas opções de deslocamento até o município.

De Vila Rica à consagração como Patrimônio Mundial

A formação do núcleo urbano é associada ao bandeirante Antônio Dias de Oliveira, ao padre João de Faria Fialho e ao coronel Tomás Lopes de Camargo. O arraial do Padre Faria, ligado a essas figuras, deu origem à antiga Vila Rica.

Em 1720, Vila Rica tornou-se capital da recém-criada Capitania de Minas Gerais. A exploração aurífera consolidou a localidade como um dos centros mais prósperos do Brasil colonial.

O município recebeu o título de Monumento Nacional em 1933. Com a transferência da capital mineira para Belo Horizonte, em 1897, o crescimento urbano perdeu força, contribuindo para a conservação de construções coloniais.

Igrejas, artistas e atrações do centro histórico

Na Igreja de São Francisco de Assis, o projeto de Aleijadinho data de 1766, e o teto reúne pinturas de Mestre Ataíde. O templo é apontado como uma das grandes expressões do barroco mineiro.



A Matriz de Nossa Senhora do Pilar chama atenção pelo interior ornamentado com mais de 400 kg de ouro. Já a Igreja de Nossa Senhora do Carmo combina arquitetura rococó, projeto de Manuel Francisco Lisboa e elementos da fachada executados por Aleijadinho.

Na Praça Tiradentes, o Museu da Inconfidência funciona na antiga Casa de Câmara e Cadeia e inclui o Panteão dos Inconfidentes. A Casa dos Contos, ligada à administração e à fiscalização do ouro no século XVIII, abriga atualmente um museu; o antigo Palácio dos Governadores, por sua vez, é ocupado pela Escola de Minas e pelo Museu de Ciência e Técnica, com coleções de mineralogia e paleontologia.

A Mina do Chico Rei tem túneis acessíveis à visitação e uma narrativa tradicional sobre um homem escravizado que teria conquistado a liberdade e ajudado outros trabalhadores. Inaugurada em 1770, a Casa da Ópera, também chamada Teatro Municipal, é considerada o teatro em funcionamento mais antigo das Américas.

Sabores mineiros e opções para chegar a Ouro Preto

O feijão tropeiro, feito com feijão, farinha, linguiça e torresmo, é associado às tropas de mulas que circulavam durante o ciclo do ouro. Outro prato presente em restaurantes tradicionais, como O Sótão e Acaso 85, é o frango com quiabo e angu.

Nas padarias do centro histórico, pão de queijo e café coado aparecem como combinação típica do café da manhã. No distrito de São Bartolomeu, são produzidos doces artesanais em compota, reconhecidos como patrimônio imaterial do município.

De carro, o trajeto desde Belo Horizonte pelas rodovias BR-040 e BR-356 leva pouco menos de duas horas. Também há ônibus saindo da capital mineira, enquanto o Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, fica a cerca de 130 km de Ouro Preto.

O município não tem aeroporto próprio. Há linhas regulares de ônibus com origem em Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro; esta última cidade fica a aproximadamente 400 km de Ouro Preto.



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