Abertura da Exposição Ganância
No dia 3 de setembro de 2026, o Museu Casa dos Contos em Ouro Preto será o cenário da abertura da exposição intitulada “Ganância: Justiça Climática e Mineração”. Este evento convida a comunidade local a refletir sobre os impactos do extrativismo predatório ao longo da história e seus efeitos atuais. A inauguração começa às 19h e a mostra permanecerá aberta até o dia 30 de setembro.
A exposição busca estabelecer um contraste entre as brutalidades do passado colonial, especificamente durante o ciclo do ouro do século XVIII, e os crimes socioambientais cometidos por empresas atualmente. A utilização da arte se apresenta como um meio de resistência e um clamor pela justiça climática, abordando temas relevantes em um contexto atual crítico.
Justiça Climática em Debate
A proposta da exposição é fomentar uma discussão sobre as injustiças ambientais cometidas por grandes corporações, evidenciando como a exploração dos recursos naturais continua a causar graves danos sociais e ecológicos. Os visitantes serão levados a uma jornada reflexiva onde poderão conectar eventos passados e presentes, revelando a continuidade de uma lógica predatória que persiste até os dias de hoje.

Fotografia como Instrumento de Denúncia
Um dos pilares da exposição é a fotografia, um poderoso meio de denúncia social. As imagens expostas não apenas retratam as consequências devastadoras da mineração, mas também proporcionam um espaço para refletir sobre a dignidade e a voz de comunidades que se opõem ao silêncio imposto pela devastação. Cada fotografia serve como um testemunho visual, relembrando que, enquanto houver memória, haverá também resistência.
Documentos Históricos e Mineração
A interação entre passado e presente é explorada através da utilização de documentos históricos que traçam uma linha contínua entre a extração mineral na era imperial e as práticas predatórias contemporâneas. Este pilar revela que o fenômeno da “ganância” na extração de recursos é algo estrutural, enraizado em séculos de injustiça territorial que afetam a vida de inúmeras pessoas, especialmente nas regiões de Maceió e Mariana.
Poesia que Humaniza Dados
Além da fotografia e da documentação, a poesia é outra ferramenta utilizada na exposição. Poemas e elementos líricos humanizam os dados técnicos apresentados, permitindo que os espectadores sintam a dor e a luta das comunidades afetadas. Esta abordagem transforma dados frios em histórias vívidas, conectando emocionalmente o público e fomentando empatia.
Memórias de Tragédias Ambientais
As histórias por trás das fotografias e documentos expostos são profundas e impactantes. A mostra não se limita a expor tragédias, mas também a reconstruir a humanidade que foi atingida por catástrofes ambientais, como o afundamento do solo em Maceió, causado pela empresa Braskem, e o rompimento da barragem de Fundão em Mariana, administrada pela Samarco. A exposição faz um apelo para que essas histórias não sejam esquecidas.
O Papel das Universidades na Exposição
A exposição “Ganância” é fruto de um esforço colaborativo que une instituições acadêmicas. A curadoria geral é liderada pela Profª Dra. Deborah Kelly Nascimento Pessoa da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), em parceria com a Profª Flora d’El Rei Lopes Passos e o pesquisador Carlos Eduardo da Silva Lopes. Este trabalho destaca a importância das universidades na discussão de temas sociais e ambientais, promovendo um espaço acadêmico de reflexão e debate.
Diálogos sobre o Futuro da Mineração
Como parte das atividades relacionadas à exposição, a UFOP organizará uma “Ocupação Artístico-Visual” de 21 a 25 de setembro, que integrará a mostra ao cotidiano dos estudantes. Um evento central durante essa ocupação será uma mesa-redonda focada em “Justiça Climática e Mineração: diálogos sobre os casos Samarco-Mariana, Braskem-Maceió e Vale-Brumadinho”. O debate ocorrerá no dia 24 de setembro e tem como objetivo discutir reparação e memória frente ao colapso ambiental.
A Intertextualidade entre Passado e Presente
A exposição nos leva a refletir sobre a interconexão entre eventos históricos e atuais. As semelhanças entre as práticas de exploração do passado e as de hoje evidenciam um padrão que, se não for interrompido, pode resultar em futuros ainda mais devastadores para as comunidades e o meio ambiente. Ao unir relatos de injustiça e resistência, a mostra inspira uma nova forma de pensar sobre a mineração e suas consequências.
O Impacto da Exposição na Comunidade
A Exposição Ganância promete deixar um impacto significativo na comunidade de Ouro Preto. Além de informar e educar, ela busca mobilizar a sociedade para a ação. A arte e a fotografia funcionarão como catalisadores de discussões sobre justiça e responsabilidade social, ressaltando a importância de uma cultura de resistência e conscientização em relação às questões ambientais e sociais.
Com a frequência de atualizações constantes e conteúdo acessível nas redes sociais, especialmente no Instagram, a exposição poderá alcançar um público ainda maior, fomentando diálogos que ultrapassam as paredes do museu. Ao encorajar o público a se envolver na luta por justiça climática, a exposição também reafirma o papel vital que a cultura desempenha na formação de um futuro mais justo e sustentável.


