Ouro Preto volta simbolicamente a ser capital de Minas Gerais em 21 de abril, conforme determina uma emenda constitucional de 1997. A transferência ocorre no Dia de Tiradentes, data magna do estado.
Antes chamada Vila Rica, a cidade surgiu em 1711 e foi capital mineira até a mudança do governo para Belo Horizonte, em 1897. As ladeiras de pedra e os casarões coloniais preservam marcas desse passado.
Os atos oficiais têm como um dos pontos centrais a Praça Tiradentes, em Ouro Preto. A programação também se relaciona à Medalha da Inconfidência, criada em 1952 por Juscelino Kubitschek, segundo a Agência Minas.

A vida da cidade combina patrimônio e atividade estudantil: a Escola de Minas foi fundada em 1876, e há 64 repúblicas federais, com capacidade para cerca de 862 moradores, de acordo com o Ministério Público Federal (MPF). A história, a cultura local e as condições de visitação ajudam a compor o retrato de Ouro Preto.
Da antiga Vila Rica à capital simbólica de Minas
A regra constitucional também prevê que a capital mineira seja transferida simbolicamente para Mariana em 16 de julho. A cidade vizinha, portanto, também recebe essa condição em uma data anual determinada pela Constituição estadual.
Em 2026, a transferência simbólica para Ouro Preto teve duração inédita de três dias, entre 19 e 21 de abril. Nesse período, a cidade voltou a sediar o Executivo estadual.
A programação de 2026 estendeu a presença do governo mineiro na antiga Vila Rica para além do dia 21 de abril. A realização entre 19 e 21 de abril marcou a primeira vez que o ato simbólico durou três dias.
Patrimônio, personagens e vida cultural nas ladeiras
Entre as figuras que marcaram a memória local está Sinhá Olímpia, nome pelo qual era conhecida Olympia Angélica de Almeida Cotta. Nascida em 1889, em Santa Rita Durão, distrito de Mariana, ela percorria as ladeiras com roupas coloridas, chapéus floridos, bijuterias e um cajado ornamentado, contando histórias e causos, segundo a Prefeitura de Ouro Preto.
A cantora Rita Lee a chamou de primeira hippie brasileira, e a personagem inspirou músicas e obras de arte. Em 1990, também foi tema de um desfile da Estação Primeira de Mangueira no Carnaval do Rio de Janeiro.
Em 2026, quando se completaram 50 anos sem Sinhá Olímpia, Ouro Preto dedicou a folia à moradora. A Praça Tiradentes, além de concentrar atos oficiais, recebe desfiles de escolas de samba durante o Carnaval, enquanto a Feira de Pedra-Sabão funciona no Largo de Coimbra, diante da Igreja de São Francisco de Assis.
O patrimônio da região inclui ainda o Pico do Itacolomi, com 1.772 metros, no parque estadual entre Ouro Preto e Mariana. Nos distritos, São Bartolomeu é conhecido pela produção familiar de doces, incluindo goiabada cascão, e Santa Rita de Ouro Preto, a cerca de 30 quilômetros da sede, mantém a tradição de trabalhos em pedra-sabão.
Acesso, eventos e clima para visitar Ouro Preto
Ouro Preto fica a cerca de 100 quilômetros de Belo Horizonte, com acesso pela BR-356, a Rodovia dos Inconfidentes; o trajeto leva em média 1h40. Quem chega de avião pode desembarcar em Confins, a aproximadamente 140 quilômetros da cidade.
As ruas estreitas e íngremes do centro histórico tornam o deslocamento de carro pouco prático, e as pedras podem ficar escorregadias quando molhadas. O calendário de eventos também influencia a visita: o Carnaval de 2026 ocorreu de 12 a 17 de fevereiro, com sete escolas de samba e a folia das repúblicas.
Julho concentra o Festival de Inverno, período de grande movimento de visitantes segundo a Fundação de Arte de Ouro Preto (Faop), em publicação da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult-MG). Para caminhadas com menor volume de chuva, junho a agosto costuma ser o período mais favorável; julho registra em média 15 milímetros, mas as madrugadas ficam em torno de 11°C.
As médias climatológicas de 30 anos compiladas pelo Climatempo indicam temperaturas de 17°C a 26°C no verão, de dezembro a fevereiro, e chuva mais intensa, especialmente em dezembro. No outono, de março a maio, as temperaturas variam de 13°C a 25°C: março ainda é chuvoso, enquanto abril e maio marcam a transição para o período seco. No inverno, de junho a agosto, a faixa vai de 11°C a 22°C; na primavera, de setembro a novembro, fica entre 14°C e 24°C, com as chuvas aumentando a partir de setembro e ganhando força em novembro.


