O que é a polipílula e como ela funciona?
A polipílula é um comprimido que combina diferentes medicamentos em uma única dose, visando simplificar o tratamento de condições crônicas. Para esta pesquisa em particular, crê-se que a associação de ativos pode aumentar a adesão ao tratamento e, consequentemente, reduzir as taxas de Acidente Vascular Cerebral (AVC). O estudo foca em adultos na faixa etária de 50 a 75 anos, que apresentam riscos cardiovasculares.
Quem pode participar da pesquisa?
Estão sendo recrutados mais de 8.518 voluntários que se encaixam nos seguintes critérios:
- Idade entre 50 e 75 anos;
- Não ter histórico de AVC ou infarto;
- Não utilizar medicamentos para controle de hipertensão, diabetes ou colesterol;
- Apresentar fatores de risco cardiovasculares.
Esses participantes passarão por um acompanhamento médico que pode perdurar por até quatro anos.

Importância do controle de fatores de risco
O AVC é uma das principais causas de morte e incapacidade no Brasil. A maioria dos casos poderiam ser prevenidos com um adequado controle dos fatores de risco. A polipílula proposta, em sinergia com mudanças no estilo de vida, busca reduzir a ocorrência de AVC e declínios cognitivos, que são comumente associados à idade e a condições de saúde preexistentes.
Resultados preliminares do estudo
A fase inicial da pesquisa, que ocorreu em Porto Alegre, contou com a participação de 370 indivíduos. Durante essa fase, foi possível observar reduções significativas na pressão arterial e melhorias nos níveis de colesterol entre os indivíduos que usaram a polipílula. Este resultado encorajou os pesquisadores a expandir o estudo para incluir diversas regiões do país e um número maior de participantes.
Estratégias de mudança de estilo de vida
Além da medicação, o projeto considera aspectos que envolvem mudanças de hábitos, como:
- Melhorias na alimentação, priorizando uma dieta balanceada;
- Aumento da atividade física, promovendo exercícios regulares;
- Eliminação do uso de tabaco, contribuindo para a saúde cardiovascular.
Riscômetro de AVC: A ferramenta digital inovadora
Uma das inovações do estudo é o uso do Riscômetro de AVC, uma ferramenta digital que avalia o risco cardiovascular dos participantes. Com essa avaliação, os pesquisadores podem customizar as estratégias de prevenção e tratamento, promovendo uma abordagem mais eficaz e direcionada às necessidades de cada paciente.
Distribuição geográfica dos centros de pesquisa
A pesquisa está sendo realizada em 14 centros especializados localizados em nove estados diferentes do Brasil, reconhecendo a abrangência do problema do AVC no país. Aqui estão os centros participantes:
- Acre: Centro de Pesquisa Silvestre Santé — Rio Branco.
- Bahia: Universidade Federal da Bahia (UFBA) — Salvador, no Hospital Universitário Professor Edgard Santos (HUPES).
- Distrito Federal: Instituto Hospital de Base do Distrito Federal (IHBDF) — Brasília.
- Minas Gerais: Santa Casa de Misericórdia de Ouro Preto — Ouro Preto.
- Pernambuco: Hospital da Restauração — Recife.
- Paraná: Inova Medical – Serviços de Saúde e Gestão — Toledo.
- Rio Grande do Sul: Hospital Moinhos de Vento — Porto Alegre (centro coordenador nacional); Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA); Hospital de Caridade de Ijuí — Ijuí.
- Santa Catarina: Clínica Neurológica e Neurocirúrgica de Joinville — Joinville.
- São Paulo: Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCRP); Hospital São Paulo – Unifesp — São Paulo; Hospital de Base de São José do Rio Preto — São José do Rio Preto; Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp) — Botucatu.
Como se inscrever e participar da pesquisa
Os interessados em participar do estudo devem entrar em contato através do telefone/WhatsApp (51) 99935-6911. É aconselhável que os candidatos verifiquem os critérios de inclusão antes de se dirigirem a um dos centros de pesquisa.
Impacto do AVC na saúde pública brasileira
O AVC continua sendo uma preocupante questão de saúde pública no Brasil. De acordo com estudos realizados, 89.490 brasileiros faleceram em 2025 devido à doença. Os dados de 2026 indicam que no primeiro trimestre, 20.461 mortes foram registradas, evidenciando a necessidade urgente de intervenções efetivas para a prevenção.
O futuro da saúde cardiovascular no Brasil
A iniciativa de estudo com a polipílula e o Riscômetro pode representar um avanço significativo na abordagem preventiva das doenças cardiovasculares no Brasil. Com a aplicação de estratégias baseadas em evidências, espera-se não apenas reduzir a taxa de AVC, mas também melhorar a qualidade de vida dos indivíduos em tratamento e diminuir as complicações associadas à deterioração cognitiva. O sucesso dessa pesquisa poderá estabelecer novos paradigmas no tratamento e controle de doenças cardiovasculares na população brasileira.

