O balanço da Vale (VALE3) no 3T26 deve mostrar recuo nos principais indicadores, segundo as estimativas reunidas para a divulgação da mineradora. Além do minério de ferro, o petróleo aparece entre os fatores de pressão sobre os resultados.
O consenso compilado pela Bloomberg aponta queda anual no lucro líquido e no Ebitda. Relatórios do Citi e do Itaú BBA também destacam os efeitos de fretes mais caros, volumes e custos operacionais.
A Vale divulga os resultados após o fechamento do mercado em 29 de outubro de 2026. A empresa apresenta junto ao balanço o relatório de produção do trimestre, diferentemente de sua prática habitual de publicar os dados operacionais alguns dias antes.
As projeções consideram a variação dos preços do minério e do petróleo, a produção e o desempenho das divisões de ferrosos e metais básicos. O cenário também envolve dificuldades operacionais em Carajás e uma retomada mais lenta que a prevista no Sul.
Petróleo e frete elevam a pressão sobre os custos da Vale
O barril do Brent teve preço médio de US$ 91,29 no terceiro trimestre, 5,6% abaixo dos três meses anteriores, mas 34% acima do mesmo período de 2025. Para a Vale, a alta anual pode encarecer o bunker, combustível usado pelos navios que transportam minério.
A pressão do petróleo já havia sido apontada pela companhia no balanço do segundo trimestre como um fator relevante para os resultados seguintes. No período analisado, a queda trimestral do Brent coexistiu com a alta anual, comparação que ajuda a explicar por que o combustível marítimo permaneceu no radar.
O Citi estimou que o custo do minério entregue na China aumentaria em relação ao trimestre anterior. Segundo o banco, a redução das despesas C1 — que cobrem a produção da mina até o porto — seria mais do que compensada pelo frete maior, embora boa parte do transporte estivesse protegida e ainda houvesse exposição ao mercado à vista.
Como o C1 não inclui o transporte marítimo até a China nem itens como royalties, a redução dos custos de produção não garante uma queda no custo total de entrega. Essa diferença entre a etapa da mina e o transporte ao cliente ajuda a dimensionar a pressão sobre as despesas da mineradora.
Minério mais barato, produção e projeções para as divisões da companhia
O minério de ferro registrou preço médio de US$ 96,91 por tonelada no 3T26, recuo de 2,5% na comparação anual e de 8% frente ao trimestre anterior. O Citi estimou produção de 89 milhões de toneladas, volume 5% maior que no trimestre anterior e 6% menor que um ano antes.
Na avaliação do Citi, o desempenho operacional deveria refletir dificuldades em Carajás e uma retomada mais lenta que a prevista no Sul. Para 2026, o banco projetou produção no piso da faixa de 335 milhões a 345 milhões de toneladas indicada pela companhia, o que dependeria de recuperação no quarto trimestre.
O cobre deveria manter desempenho forte, com Ebitda próximo de US$ 1 bilhão, enquanto o níquel tenderia a ficar perto do ponto de equilíbrio, pressionado por preços menores. No Itaú BBA, a estimativa para o Ebitda da divisão de ferrosos foi de US$ 2,66 bilhões, queda de 13% ante o trimestre anterior; embarques 4% maiores, de 82,7 milhões de toneladas, não compensariam a redução dos preços do minério fino e o frete mais caro.
Para metais básicos, o Itaú BBA projetou Ebitda de US$ 1,04 bilhão, recuo trimestral de 19%, associado a volumes menores de cobre após a parada de Sossego, preços mais baixos do níquel e custos de manutenção maiores. Já o consenso da Bloomberg estimou lucro líquido de R$ 7,598 bilhões e receita líquida de R$ 52,380 bilhões; em dólares, as projeções foram de US$ 1,508 bilhão e US$ 10,407 bilhões, respectivamente. Para o Ebitda, o consenso apontou R$ 18,036 bilhões, ou US$ 3,324 bilhões.


